Doja Cat está no Brasil pela segunda vez e, na própria semana do show único em São Paulo, ainda pairava no ar o receio de que a apresentação fosse cancelada pelo fato de os ingressos terem ficado ‘encalhados’. Há poucos dias, o show que ela faria em Buenos Aires foi cancelado. Mas, dispersa, dispersa… Doja Cat veio e, que bom, porque mesmo que o público não tenha comprado muito a ideia dessa era com pegada oitentista da cantora, o show no Suhai Music Hall desta quinta (5) veio para reforçar o seu status de ‘Artista’ – assim mesmo, com ‘A’ maiúsculo – e, ainda, o de uma das mais talentosas rappers do cenário atual.
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Foto: POPline
Lançado em setembro do ano passado, o “Vie”, último disco de Doja, teve uma estreia razoável na Billboard 200 dos Estados Unidos, ficando na 4ª posição. Apesar disso, os demais números comprovam a falta de interesse do público pelo projeto: atualmente, nenhuma das 10 músicas mais populares da rapper no Spotify pertence ao “Vie”.
Nem mesmo “Jealous Type”, faixa responsável por abrir os trabalhos do álbum, que inclusive o máximo que conseguiu alcançar na Billboard Hot 100 dos Estados Unidos foi uma 28ª posição. Cenário esse bem diferente das eras anteriores da artista, que deram a ela um montante de hits, incluindo o nº 1 “Paint The Town Red”.
Mas, durante todo o tempo em que Doja Cat esteve dominando o palco do Suhai Music Hall, os números eram o que menos importavam… Não é só o flow afiado e envolvente da rapper que cativa, o caráter extremamente teatral do show da “Ma Vie World Tour” hipnotiza! Com figurino extravagante que acompanha a estética 80’s do “Vie”, Doja usa e abusa da própria expressividade, tal qual em suas famosas lives, encontros com fãs e aparições públicas. Por falar nisso, a cantora esteve, na quarta (4), em uma loja de maquiagem da qual é embaixadora, atraindo uma multidão de fãs na capital paulistana.
Com um domínio invejável, ela aproveita cada centímetro do palco, se joga no chão, simula engolir o microfone, enrola o fio do mesmo no pescoço, tudo isso em meio a muitas caras e bocas em uma performance que chega a ser quase que circense. É um visual excêntrico que prende quem assiste, e se torna impossível tirar os olhos dela!
A cantora abre o show com “Cards”, que, inclusive, é também a música de abertura do “Vie”. Desse álbum, que é o que dá o tom a essa turnê, Doja canta 11 das 15 músicas, com destaque para “AAAHH MEN!” e “Gorgeous”, algumas das que mais levantam o público tomando como parâmetro esse compilado. “Jealous Type”, o lead single, fica para o final do show, sendo a última música apresentada.
Os fãs, porém, enchem mesmo a boca pra cantar junto quando Doja traz ao palco hits de seus discos anteriores, a exemplo de “Woman”, “Agora Hills”, “Ain’t Shit”, “Paint The Town Red”, “Need To Know”, “Streets” e “Say So” – sim, são muitos!
Doja Cat levou quatro anos para retornar ao país após fazer uma dobradinha no Lollapalooza Brasil 2022, à epoca da era “Planet Her”. A longa espera, porém, valeu à pena, saciando a vontade dos fãs e enchendo os olhos da própria artista. Ela até preparou uma versão especial da faixa “Demons” em um remix com elementos do funk carioca!
Os fãs e admiradores de Doja comprovaram que ela tem, sim, demanda no país. No fim das contas, o Suhai Music Hall, embora situado num local mais afastado de São Paulo, vibrou com a performance exímia da rapper – e não, não tinha buracos na plateia, nem espaço sobrando.




