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“NÃO VOU ME APOSENTAR, MAS NÃO QUERO MAIS FAZER CERTAS COISAS”, DIZ XUXA (ENTREVISTA) - Cidade FM

“NÃO VOU ME APOSENTAR, MAS NÃO QUERO MAIS FAZER CERTAS COISAS”, DIZ XUXA (ENTREVISTA)

"Não vou me aposentar, mas não quero mais fazer certas coisas", diz Xuxa (ENTREVISTA)

(Foto: Blad Meneghel)

Xuxa vai ter a “Celebration Tour” dela em 2026. Para comemorar seus 40 anos de carreiraela prepara a turnê “O Último Voo da Nave”, que promete repassar todos sucessos, símbolos e momentos icônicos de sua trajetória. O título não significa sua aposentadoria dos palcos, mas a aposentadoria da nave do “Xou da Xuxa”. ”

Não vou me aposentar, mas não quero mais fazer certas coisas que fazia ou ter a obrigação de fazer certas coisas que fazia”, a apresentadora explica ao POPline, “acho que a nave me deixa nesse lugar de ter que dar o que as pessoas gostariam de ver e não o que eu quero oferecer”.

(Foto: Blad Meneghel)

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A gaúcha de Santa Rosa é uma das maiores vendedoras de discos da história do Brasil. Só o “Xou da Xuxa 3” (1988) vendeu mais de 3,2 milhões de cópias. É o álbum dos hits “Ilariê”, “Arco-íris” e “Abecedário da Xuxa”. Com a franquia “Só Para Baixinhos”, iniciada no ano 2000, ela recebeu seis indicações ao Grammy Latino, com direito a duas vitórias. Desta era, saíram os hits “Dançando com o Txutxucão”, “Estátua” e “Cinco Patinhos”.

Na TV, foi líder de audiência por três décadas com programas como “Xou da Xuxa”, “Xuxa Park” e “Planeta Xuxa”. Lotar estádios de fãs apaixonados pelo Brasil fazem parte de sua biografia, mas Xuxa garante que ficou surpresa quando os ingressos para o primeiro show da turnê, no Allianz Parque em São Paulo, acabaram rapidamente. “Não imaginava”, afirma, “quando começaram a me falar que ia fazer em lugares grandes assim, me deu muito medo, porque não estou na televisão. Antigamente, eu estava na TV todas as manhãs e tinha a força da Globo e da Som Livre. Era outra época”.

"Não vou me aposentar, mas não quero mais fazer certas coisas", diz Xuxa (ENTREVISTA)

(Foto: Blad Meneghel)

Despedida da nave e da chuquinha da Xuxa

O ícone pop estará com 63 anos quando estrear a tour. O show é pensado para se despedir de tudo que ela acha que não cabe mais. “A cada vez que as pessoas me veem saindo da nave, elas me imaginam com chuquinha, com botas, com roupas dos anos 80. Então o que quero fazer com esse show é dar a possibilidade das pessoas imaginarem isso e eu dar isso para elas. E não quero mais fazer isso, porque estou com a minha idade avançada e não acho que combina mais com as coisas que gostaria de oferecer“, explica. O diretor criativo do show, Kley Tarcitano, é assertivo: “Xuxa sabe o que quer e o que o público dela gosta”.

O projeto da turnê prevê uma surperprodução, com assinatura da 30e, a mesma responsável pela despedida de Gilberto Gil. Shows de Beyoncé, Katy Perry, Michael Jackson e artistas asiáticas passaram pelo quadro de referências. Xuxa estará com 17 profissionais em cena, entre bailarinos e acrobatas. O show será dividido em seis atos para contemplar a variedade de sua iconografia memorável. E a nave, claro, está confirmadíssima.

(Foto: Blad Meneghel)

Entrevista com a Xuxa

POPLINE – PODEMOS DIZER QUE “O ÚLTIMO VOO DA NAVE” SERÁ O MAIOR SHOW DE SUA CARREIRA EM TERMOS DE PRODUÇÃO E INFRAESTRUTURA?

XUXA – Espero que sim, apesar de que todos os shows que apresentei na minha vida eram a maior estrutura e infraestrutura que alguém poderia fazer no Brasil naquela época. Mas, hoje em dia, com a tecnologia mais avançada… Os chineses fazendo cada coisa! Coisas melhores a cada dia! Não sei se eu posso te responder que vai ser a mesma coisa como no passado, porque agora a globalização faz com que a gente tenha a possibilidade de ver muitas coisas, mas ainda não temos tudo que é conhecido, que é visto no mundo todo. Infelizmente, não vai ter talvez tudo que eu queira, mas com certeza vai ter tudo que eu posso oferecer de melhor.

POPLINE – PENSANDO NOS SEUS PRIMEIROS SHOWS, COM FIGURINOS FEITOS POR SUA MÃE E BEXIGAS ENCHIDAS PELAS PAQUITAS, COMO É ESTAR ENVOLVIDA EM UMA SUPERPRODUÇÃO DESTE PORTE TANTOS ANOS DEPOIS?

XUXA – Era o que a gente podia oferecer naquela época, que é o que nós tínhamos aqui no Brasil. Não tínhamos telões, não tínhamos efeitos. Não tínhamos nem bexigas nem balões que não fossem com aquela qualidade. Mas, olhando para trás, eu vejo que é bom que o mundo todo mudou e que as portas estão se abrindo para que todos nós tenhamos a possibilidade de ver, ter, conhecer, saber de coisas tão bacanas que acontecem no mundo todo, em forma de figurino, em forma de efeitos, de tudo.

"O Último Voo da Nave" dividido em 6 atos: diretor conta detalhes do novo show da Xuxa (EXCLUSIVO)

(Foto: Divulgação)

POPLINE – QUE TIPO DE REFERÊNCIAS DE OUTROS GRANDES SHOWS E TURNÊS PASSARAM PELA MESA DURANTE A CONCEPÇÃO DE “O ÚLTIMO VOO DA NAVE”?

XUXA – Existe uma menina coreana e uma menina chinesa que fazem umas coisas muito bacanas em show, mas é óbvio que eu também vi coisas da Beyoncé. A gente vê muita coisa: Katy Perry, tudo. A gente dá uma olhada em tudo que tem por aí. E quem sempre teve à frente é o Michael Jackson. Ele era o cara que tinha uma visão muito futurista, muito a frente de todos e, mesmo assim, a gente vai lá para ver alguma coisa de figurino, a gente dá uma olhada para ver se tem alguma inspiração que vem dessas coisas que sempre foram muito modernas.

“O Último Voo da Nave” tem essa possibilidade de ter essa pegada de futuro. Então, faz com que a gente possa viajar muito. Com 40 anos de profissão, eu não tenho só um estilo, um tipo de música, a gente pode viajar em tudo. Já passei pelo mundo lúdico de livros, de bichos, de floresta, de natureza, de circo, de praia, de tudo. Tudo já foi feito, já foi com cristal, com nave… Enfim, acho que o meu mundo, o mundo que foi construído nesses 40 anos de profissão, dá para a gente explorar e viajar muito, sabe? Eu tenho a possibilidade de viajar e ir para muitos lugares com a minha carreira.

POPLINE – VOCÊ FALA SOBRE ESSE SHOW HÁ ANOS. HÁ QUANTO TEMPO COMEÇOU A IDEALIZÁ-LO DE FATO?

XUXA – Eu comecei a pensar antes da pandemia. Mas aí veio a pandemia e a gente ficou parada esse tempo todo. E eu achei que isso era um sinal de que não era para ser feito. Mas, na realidade, [a ideia existe desde que] a gente começou a falar sobre o documentário. Antes, a gente ficou pensando no que poderíamos fazer. Ia ser um grande show com o nome “O Último Voo da Nave”. Começamos a viajar bastante nesse show e depois partiu para ser apenas o documentário. Foi para outro lado.

"O Último Voo da Nave" dividido em 6 atos: diretor conta detalhes do novo show da Xuxa (EXCLUSIVO)

(Foto: Blad Meneghel)

POPLINE – VOCÊ ENCHEU ESTÁDIOS POR MUITO TEMPO EM SUA CARREIRA, E O PRIMEIRO SHOW NO ALLIANZ TAMBÉM TEVE INGRESSOS ESGOTADOS EM POUCO TEMPO. ISSO AINDA TE SURPREENDE E TE DEIXA FELIZ OU ACABA NATURALIZANDO?

XUXA – Eu fico com muito receio, com muito medo mesmo, por mais que as pessoas falem “Mas são as crianças que cresceram, que vão”. Será? Não sei. Não sei, não sei te responder. Fico com medo, sim. Não tem nada de naturalizado aqui, não. Tenho muito medo, muito receio. Espero realmente que todos os lugares que a gente vá, as pessoas se animem a ir, que levem seus filhos, seus netos, porque a minha ideia realmente é fazer um show onde a nostalgia, onde a viagem para o passado, através dessa coisa muito futurista, vai estar bastante presente.

POPLINE – SASHA JÁ ASSINOU FIGURINO PARA SHOW DO JOÃO. ELA VAI FAZER ALGO PARA “O ÚLTIMO VOO DA NAVE” TAMBÉM?

XUXA – Não, porque não é o estilo dela e nem o estilo da Mondepars. Mas com certeza vou usar alguma peça dela para chegar nos lugares, para fazer entrevista, porque amo tudo o que ela faz.

POPLINE – MUITA GENTE CONFUNDE A DESPEDIDA DA NAVE COM A SUA DESPEDIDA DOS PALCOS. NÃO SÃO A MESMA COISA, NÃO É? COMO VOCÊ VISLUMBRA OUTROS SHOWS NO FUTURO?

XUXA – As pessoas não gostam muito desse nome, “aposentando”, mas eu deixando de lado a nave, eu vou estar deixando de lado essa coisa, essa obrigação de estar com certas roupas. E aí eu acredito que os shows futuros ou os pocket shows, ou as apresentações que eu fizer, eu vou poder me vestir de qualquer coisa. Inclusive, se eu quiser usar uma roupa de alguém muito louca, eu vou poder, porque tudo me é permitido. Agora, se me colocarem saindo da nave, de novo, eles vão querer me ver daquele jeito. E eu me sinto quase que na obrigação de fazer esse carinho com quem cresceu comigo. Então, esse show é para realmente revisitar esse mundo lúdico e depois deixar ele guardado em um lugar muito especial na memória das pessoas. Aposentando, deixando de lado a nave, eu vou estar deixando guardado isso tudo que eles viram e passaram e vivenciaram na infância, na adolescência deles.

E a partir disso, eu quero abrir uma nova porta onde eu possa me representar com a roupa que eu quiser, com o cabelo que eu quiser, da forma que eu quiser. Não necessariamente preciso estar daquele jeito. Eu vejo isso porque tem artistas que estão com 70 anos e vestem as mesmas roupas lá do passado. Eu acho bastante interessante isso, bastante forte e bastante corajoso. Eu gostaria de vestir o que está na moda, o que eu me sinto bem. Eu gostaria de vestir qualquer coisa, não necessariamente ter uma obrigação. Mas se um dia eu quiser também voltar com as roupas dos anos 80, porque moda é uma coisa que volta e tal, eu poderia fazer, mas não ter a obrigação de fazer, entendeu? Isso é que me deixa um pouco assim.

Foto: Blad Meneghel

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