Mesmo com Caetano Veloso e Maria Bethânia entre os indicados ao Grammy 2026, a presença brasileira na maior premiação da música mundial ainda poderia ser mais ampla. Em um ano marcado por lançamentos fortes, com conceitos amarrados, e artistas nacionais ganhando cada vez mais espaço fora do país, o Brasil teve uma safra especialmente potente. Há pelo menos outros oito nomes que reuniram méritos artísticos, impacto cultural e relevância global suficientes para figurar na lista oficial de indicados.
LEIA MAIS:
> Descubra 9 artistas confirmados para cantar no Grammy 2026
> Caetano Veloso pode receber seu 3º Grammy no domingo
> 6 artistas que fazem falta no Grammy Awards
A seguir, reunimos quem ficou de fora, mas não deveria (dentro do período de elegibilidade, entre 1º de setembro de 2024 e 30 de agosto de 2025)
Anitta (parceria com The Weeknd) – São Paulo – Categoria: Gravação do Ano e Melhor Performance de Duo/Grupo Pop
A parceria entre Anitta e The Weeknd não foi apenas um feat estratégico, mas uma síntese rara entre pop latino, R&B global e identidade brasileira. “São Paulo” conseguiu transitar com naturalidade entre playlists internacionais e rádios pop sem diluir sua assinatura cultural. A produção sofisticada e o alcance mundial justificariam plenamente sua presença no Grammy 2026.
BaianaSystem – O Mundo Dá Voltas (álbum) – Categoria: Álbum do Ano e Melhor Álbum de Rock Latino ou Alternativo
Poucos álbuns brasileiros de 2024/2025 conseguiram articular experimentação estética, discurso político e apelo popular com a consistência de “O Mundo Dá Voltas”. O BaianaSystem reafirma seu papel como um dos projetos mais inventivos da música latino-americana atual, fundindo rock, soundsystem, música afro-baiana e eletrônica com urgência contemporânea. O disco não apenas dialoga com tendências globais de música alternativa, como propõe uma linguagem própria, o que o tornaria um candidato legítimo às categorias citadas.
BK – “Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer” (álbum) – Categoria: Álbum de Rap
O artista entrega um dos álbuns mais densos e autorais do rap brasileiro recente, combinando lirismo introspectivo, comentário social e sofisticação musical. O disco reflete uma maturidade artística que ultrapassa fronteiras linguísticas, aproximando-se do rap conceitual que costuma ser valorizado pela Academia.
Catto – “Caminhos Selvagens” (álbum) – Categoria: Álbum de Música Alternativa
A artista constrói em “Caminhos Selvagens” um álbum de rock alternativo que dialoga com referências internacionais sem perder densidade emocional e identidade autoral. A obra se destaca pela produção refinada, letras confessionais e um arco conceitual claro, algo que frequentemente pesa nas categorias alternativas do Grammy.
Gaby Amarantos – “Rock Doido” (álbum) Categoria: Álbum de Pop e Melhor Álbum de Pop Latino
“Rock Doido” é um dos trabalhos mais ousados da carreira de Gaby Amarantos, expandindo o conceito de pop latino ao incorporar guitarras, eletrônica e referências amazônicas com naturalidade. O álbum atualiza a tradição pop brasileira sem abrir mão de experimentação, algo raro em projetos mainstream.
Marina Sena – “Coisas Naturais” (álbum) – Categoria: Álbum de Pop e Melhor Álbum de Pop Latino
A cantora consolida em “Coisas Naturais” uma linguagem pop sofisticada, sensual e contemporânea, com produção que dialoga com tendências globais de R&B, pop alternativo e música latina. O disco apresenta coesão estética, identidade sonora clara e forte repercussão internacional.
João Gomes, Jota.pê e Mestrinho – “Dominguinho” (álbum) – Categoria: Álbum de Música Global
“Dominguinho” é um raro exemplo de música global orgânica: um encontro entre forró, MPB, soul e lirismo popular que transcende rótulos regionais. O álbum carrega calor humano, excelência instrumental e um senso de coletividade que conversa diretamente com a proposta da categoria.
Luedji Luna – “Um Mar pra Cada Um” e “Antes que a Terra Acabe” (álbuns) – Categoria: Melhor Álbum Vocal de Jazz e Melhor Álbum de Jazz Latino
A artista entrega DOIS dos discos mais sofisticados da música brasileira recente, combinando jazz, soul e lirismo poético com maturidade artística. “Um Mar pra Cada Um” e “Antes que a Terra Acabe” tem qualidade técnica e densidade conceitual compatíveis com produções que costumam ser celebradas nas categorias de jazz do Grammy.
Seu Jorge – “Baile à la Baiana” (álbum) – Categoria: Melhor Álbum de R&B
O artista reinventa a própria trajetória ao fundir R&B, soul e ritmos afro-brasileiros em um álbum elegante, dançante e conceitualmente coeso. “Baile à la Baiana” não é apenas um retorno em forma: é um reposicionamento artístico que dialoga com a tradição da música negra global.
Terno Rei – “Nenhuma Estrela” (álbum) – Categoria: Álbum de Música Alternativa
O Terno Rei consolida sua identidade no indie rock brasileiro com um disco de atmosfera melancólica, produção polida e forte coesão estética. “Nenhuma Estrela” dialoga diretamente com o indie pop e o dream rock internacional, com potencial real de circulação fora do Brasil.
Quem Caetano Veloso e Maria Bethânia enfrentam no Grammy?
Os indicados a melhor álbum de música global neste ano são:
- “Sounds Of Kumbha” – Siddhant Bhatia
- “No Sign of Weakness” – Burna Boy
- “Eclairer le monde – Light the World” – Youssou N’Dour
- “Mind Explosion (50th Anniversary Tour Live)” – Shakti
- “Chapter III: We Return To Light” – Anoushka Shankar Featuring Alam Khan & Sarathy Korwar
- “Caetano e Bethânia Ao Vivo” – Caetano Veloso e Maria Bethânia
Outros brasileiros que já venceram esta categoria
A categoria melhor álbum de música global existe desde 1992, com o nome de melhor álbum de música mundial. Ela foi dividida em duas na edição de 2004 – melhor álbum de música mundial tradicional e melhor álbum de música mundial contemporânea – mas voltou a ser uma só em 2012. O nome “música global” foi adotado desde 2020.
Veja o histórico:
1999 – Milton Nascimento venceu com “Nascimento”
2000 – Gilberto Gil venceu com “Quanta Live”
2001 – Caetano Veloso venceu com “Livro”
2002 – João Gilberto venceu com “João Voz e Violão”
2006 – Gilberto Gil venceu com “Eletracústico” (melhor álbum de música mundial contemporâneo)




