Gloria Groove fez o seu aguardado retorno oficial ao pop com o lançamento do single “O Chá”. O projeto, que ganha um videoclipe cinematográfico nesta sexta-feira (29), às 11h, não é apenas mais um lançamento: é a celebração de uma década de uma das trajetórias mais avassaladoras da música brasileira. Em entrevista ao POPline, a Lady Leste abriu o coração sobre o novo projeto estético pop-reggae, revelou os bastidores da continuação do icônico clipe de “Sedanapo” (2019) e refletiu sobre a maturidade artística que a permitiu brincar com o próprio multiverso!”
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Dez anos atrás, o cenário da música pop nacional ganhava um reforço que mudaria as estruturas da cultura drag no país. Hoje, consolidada como uma potência de arrastar multidões e acumular recordes — vindo do recente estrondo do pagode com o premiado “Serenata da GG”, que ultrapassou 400 milhões de reproduções —, Gloria Groove sabe exatamente o tamanho do espaço que conquistou.
Questionada se lá em 2015 ela já conseguia prever o tamanho desse legado, a cantora revela que a intuição artística sempre foi seu norte:
“Como já sonhava com esse legado, eu não sabia quanto tempo ia demorar para isso acontecer e para esse reconhecimento existir. Mas eu sempre tive essa certeza no meu coração de que se tinha sentido para mim, se tinha sentido para mim encontrar o brilho naquilo, certamente outras pessoas do outro lado veriam isso. Tenho essa certeza muito profunda”, conta.
O Multiverso de ‘Sedanapo’ e a Nostalgia Invertida
(Foto: Rodolfo Magalhães)
Para celebrar o marco de uma década, GG decidiu fazer um processo inverso no estúdio. Se tradicionalmente a música dita o visual, desta vez foram os personagens visuais do passado que ditaram o nascimento da nova canção. “O Chá” traz de volta o famoso triângulo amoroso de “Sedanapo” (2019): os jovens Mary Jane, Lil Haze e Goldie.
“Eu comecei a trazer essa nostalgia para dentro do estúdio. Acho que agora, na marca de 10 anos, eu tô vivendo esse processo muito gratificante na vida de um artista, onde você passa a se tornar a sua própria referência, né? Tipo, me usando de referência para o meu próprio trabalho”, explica Gloria.
O retorno desse universo também trouxe de volta mentes brilhantes que ajudaram a construir a identidade da artista ao longo dos anos. Para dar vida à nova fase dos personagens, Gloria recrutou Poliana Feóla, a mesma diretora de arte de Sedanapo.
“O processo desse audiovisual eu comecei pela direção de arte. Falei: ‘Não, se for para alguém atualizar o universo da Mary Jane, eu quero que seja a própria Poliana, que foi a pessoa que fez nascer esse universo lá em 2019’. Eu falei: ‘Amiga, me ajuda a chegar no que vai ser essa história. A certeza é que agora a Mary Jane cresceu, ela é uma bruxona que faz um chá e ela mora na praia’”.
Uma Força Coletiva
(Foto: Rodolfo Magalhães)
Mais do que uma celebração individual, Gloria faz questão de pontuar que seus 10 anos de estrada são o resultado de uma engrenagem coletiva sólida. O single marca o reencontro com o produtor Ruxell e mantém os arranjos de Rafael Castilhol.
Visualmente, a cantora destaca a importância de manter seu “time de elite”, como o diretor de fotografia Daniel (parceiro desde a era Lady Leste) e Flávia Lima, que assina as direções de movimento e coreografia há mais de nove anos.
“Esses dez anos também são sobre isso. Eu tenho um grupo muito sólido, muito firme. Pessoas que entendem o meu gosto e agora, sobretudo, a minha história. Essa linha do tempo é importante para continuar contando a história”.
Crescendo Junto com os Fãs
(Foto: Rodolfo Magalhães)
Embora traga a estética pop de volta, Gloria faz questão de avisar aos navegantes: “O Chá” é um ponto fora da curva feito sob medida para quem a acompanha desde o início, e não necessariamente o spoiler de um próximo álbum cheio.
“O Chá é um símbolo de celebração. Eu sinto que nesse projeto eu tô, sobretudo, celebrando um formato. O que dá sentido a esse projeto é o amor e a apreciação que os superfãs tiveram e continuam tendo dentro desse tempo. Muita gente cresceu junto comigo. Isso é o que eu acho mais gostoso de ver. Eu vou aos lugares e eu encontro com esses fãs e eu vejo o tanto que eles também já mudaram de momento na vida. Às vezes, quando começaram a me curtir, estavam na escola. Agora estão na faculdade. Ou estavam na faculdade, agora casaram. Incrível!”, reflete.
Para Groove, a longevidade de sua arte é o maior prêmio de todos:
“A música perpassa o nosso tempo de vida aqui nesse planeta. A música fica para sempre com as pessoas e vai contar histórias sobre a vida das pessoas para sempre. Eu acredito muito nisso. E essa é a importância de ter os fãs comigo nessa caminhada”, finaliza.
Celebrando o amadurecimento mútuo entre criadora e público, Gloria Groove prova que sua longevidade na música não é um acidente, mas o reflexo de um mundinho minuciosamente planejado.



